Un blog de educación y mucho más

Programas naturais e funcionais  para pessoas com dificuldades múltiplas

Programas naturais e funcionais para pessoas com dificuldades múltiplas

Um dos grandes questionamentos dos programas educacionais para pessoas com dependência de apoio refere-se a que conteúdos, como conduzir uma aprendizagem significativa e como iniciar ou eleger conteúdos apropriados e necessários sem que estes não se esvaziem durante seu processo ou que caiam no esquecimento destes educandos?, como promover estratégias funcionais que desenvolvam habilidades necessárias nas áreas de vida individual e social passíveis de uma efetiva inclusão social independente de sua condição atual?

Pessoas com sérios problemas de desenvolvimento carecem de informações práticas e naturais que favoreçam a aquisição de habilidades comuns inerentes ao seu bem estar físico, emocional e que possibilitem uma vivência o mais independente possível. Conteúdos acadêmicos desvinculados da necessidade real e individual do educando, perdem-se no tempo e em conseqüência não são assimilados durante seu processo, xxx.

A designação “graves comprometimentos” adotado atualmente corresponde ao que Lou Brown considerou “significant disability”[1] e se refere a 2% de educandos menos capazes (neste percentual referem-se as classificações deficiência mental moderada, severa e profunda). O autor em seu artigo “What Regular Severe Intellectual Disabilïties”, publicado em 1987. assim descreve esta população:

Alunos com deficiências intelectuais severas sãos os que funcionam, sob o ponto de vista intelectual, no nível mais baixo, constituindo 1% duma população normalmente distribuída e que, tradicionalmente eram classificados como tendo um QI de 50 ou inferior ou rotulados como tendo deficiência intelectual moderada, severa ou profunda. Para além de funcionarem sob o ponto de vista intelectual abaixo de 99% da população, estes alunos manifestam com freqüência uma gama variada de deficiências adicionais como surdez, cegueira, surdez e cegueira, uso limitado de membros, problemas graves de comportamento, incapacidade de se comunicar verbalmente ou de andar sem ajuda, reação limitada a estímulos e problemas médicos graves. A designação “severe intellectual disability”, significa diferenças quer em grau, e em qualidade, em relação aos que são designados deste modo. (BROWN In:Costa, 1998 p.38)

A Política Nacional de Educação Especial do MEC, reconhece atualmente a de definição proposta pela Associação Americana de Retardo Mental –AAMR (1992);

Funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, e porno gratis, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho. (BRASIL/SEESP, 1997 P.27)
Buscamos como referência a relevante proposta de um sistema de educação natural e funcional para estes educandos. As bases apregoadas por John Dewey, filósofo pragmático colaborador da Escola Nova e que volta a ser lembrado nas escolas americanas. Sua teoria baseia-se no pressuposto de que a aprendizagem está intimamente ligada a vivência onde o consenso deve estar presente no dia-a-dia do educando e para tanto os conteúdos escolares devem trabalhar numa situação próxima do real em ambientes democráticos e naturais onde simultaneamente o aprender e o fazer estejam intimamente ligados.

DEWEY, ao referir-se ao desenvolvimento natural e a eficiência social diz que o objetivo de obedecer a natureza significa observar a origem, o crescimento, o declínio das preferências e interesses, as aptidões abrocham e desabrocham irregularmente. O autor cita Donaldson em comentário sobre o desenvolvimento do cérebro;

Os métodos educativos que reconhecerem, ante as enormes diferenças de dons pessoais, os valores dinâmicos das desigualdades naturais do desenvolvimento, e as utilizarem preferindo a desigualdade à uniformidade obtida pela podadura, acompanharão de mais perto aquilo que se passa no corpo, e se mostrarão assim mais eficazes. (DONALDSON In: DEWEY, 1979 p.127)

As linguagens inadequadas, as diferentes leituras podem distanciar indivíduos de uma comunicação efetiva. Sendo a linguagem elemento vivo da cultura o ensino especial precisa conhecer a fala do aluno e buscar uma comunicação efetiva, sem redundância de informações que podem ser importantes, mas, que no momento não acrescentam nada ao educando pela complexidade do enunciado ou pela falta de interesse destes.

Os programas operacionais têm a ver com funcionalidade natural do ensino. Os fatos reais a vivência domiciliar do educando são elementos imprescindíveis para e seleção de conteúdos a serem trabalhados em sala de aula. Os procedimentos de ensino devem buscar a reprodução do convívio do aluno. |Subestimamos a capacidade de nossos educandos quando trabalhamos fatos isolados e sem sentido ou sem aplicabilidade imediata. Assim como acadêmicos de outros níveis de ensino buscam a funcionalidade do aprendizado, educandos com dificuldades específicas de aprendizagem desejam aprender o que realmente possam ter significado para eles.

Pensar numa educação natural remete-nos ao princípio da normalização expresso nos fundamentos axiológicos da educação especial (Brasil, 1994) que se referem as condições de vida (meio) e a forma de viver (resultados). Meios, referem-se as condições e oportunidades sociais e educacionais e profissionais a que todas as pessoas devem ter acesso. Resultados referem-se a características pessoais, a normalização destes indivíduos.

Em seu trabalho Democracia e Educação (1979) DEWEY ao comentar os valores educacionais saliente que estes devem centralizar-se comumente na consideração dos vários fins para os quais são úteis as matérias particulares dos programas, portanto, não se concebem matérias que não sejam úteis para a vida.

Corre-se o risco, na educação formal em propor conteúdos dissociados da vida do aluno, onde a educação tende a formular questões não pertinentes, principalmente aqueles com dificuldades específicas de aprendizagem.

A educação formal acha-se particularmente exposta a este perigo, resultando com grande freqüência recebermos com as ‘letras’ também um espírito meramente livresco, a que vulgarmente chamam de ‘acadêmico’. Em linguagem familiar, a expressão ‘senso do real’ é usada para exprimir a importância e o calor do contato de uma experiência direta, em contraste com a qualidade remota, pálida e friamente isolada de um experiência representativa. (DEWEY 1979, p. 255)

Descarta-se, a priori neste enfoque, elementos complexos e detalhados, já que a base do conhecimento depende de elementos pré-concebidos devidamente assimilados.A primazia do conhecimento deve enfocar informações e habilidades úteis. Ressalte aqui a proficuidade das informações pela observância dos currículos comuns escolares ao proporem em seus programas conteúdos complexos e de certa forma não utilizáveis no momento ou durante o curso de sua vida, conteúdos que não contemplem uma razão para seu uso imediato ou póstero.

Pessoas com dificuldades relevantes de aprendizagem precisam adaptar-se ao convívio familiar e social para sentirem-se realizadas. Pequenos hábitos diários, como trocar de roupas, escovar dentes ou tarefas simples caseiras podem ser ensinados de forma gradativa sistemática. O ato de escovar dentes exige o conhecimento de sua escova pessoal, como identificá-la entre as demais da família/ colegas, como pegá-la, espremer o tubo de pasta de dentes, como segurá-la ou, como utilizar a água para enxágüe da boca e assim por diante. Estas e outras atividades diárias, devem ser apresentadas e realizadas em ambientes naturais quantas vezes forem necessárias para uma assimilação efetiva, bem como para a internalização da necessidade atual até torna-se parte efetiva da rotina do educando.

Enquanto crianças sem comprometimentos relevantes aprendem sem dificuldades pela observância dos atos, as que apresentam dificuldades de compreensão precisam de um ensino mais sistematizado e periódico isto é, carecem de elaboração de procedimentos, bem como de estratégias verbais, visuais e também de realização até ser internalizado a ponto de sua execução natural e espontânea. Desta forma quando a criança acordar já lembrará que há uma rotina a ser cumprida que se não for por uma consciência de higiene ou prevenção, este tarefa é necessária para sua sobrevivência.

Não se pretende-se dizer que a conscientização de valores, como vantagens e necessidades de higiene não deva ser repassada aos alunos ditos “especiais” mas, que juntamente com a consciência esteja o ato e sua necessidade de execução, isto, porque conforme enfatizado no início, o tempo de a cronológico é desfavorável a estas pessoas, isto a exemplo de adultos que chegam aos trinta ou mais anos de idade e ainda não dominam habilidades básicas para seu bem estar físico e consequentemente emocional.

Não há dúvida que o aluno aprende mais se os conteúdos estão ligados intimamente a um problema de seu cotidiano. A motivação para o aprendizado depende da objetividade dos elementos focados nos programas escolares e em consonância com sua faixa etária e seus interesses sócios emocionais, bem como com os procedimentos adotados para o ensino.

Os programas operacionais buscam um currículo funcional para aquisição de habilidades que devem obedecer criteriosamente as seguintes questões: Quais conteúdos são urgentes e necessários para aquisição de habilidades imediatas destes alunos? Quais habilidades devem ser buscadas a médio e longo prazo que atendam suas necessidades de vida diária? Quais habilidades deverá conquistar para tornar-se o mais independente e produtivo em sua vida futura?

Estas questões devem considerar sempre o aluno em harmonia consigo mesmo, com a família e instituição que o abriga, portanto aluno X família X escola, não podem trabalhar isoladamente, objetivos comum e formas de ensinar devem caminhar e m equilíbrio.

AUSÚBEL, In COLL (1996) ao referir-se a sua teoria da aprendizagem verbal significativa enfatiza que a aquisição de uma nova informação que se dá na aprendizagem significativa é um processo que depende principalmente das idéias relevantes que o sujeito já possui, e se produz através da interação entre a nova informação e as informações presentes na estrutura cognitiva… “o resultado da interação que tem lugar entre o novo material que será aprendido e a estrutura cognitiva existente é uma assimilação entre os velhos e os novos significados, para formar uma estrutura cognitiva mais altamente diferenciada”. (Ausubel, Novak e Hanesian, 1978, In COLL 1996 p. 71).

O autor enfatiza ainda que a estrutura cognitiva humana está organizada de forma hierárquica, o que supõe que as assimilações dos novos conceitos são dependentes de aquisições prévias já internalizadas, videos porno.

Considerando que pessoas com defasagens expressivas de comunicação e assimilação mostram dificuldades em abstrair ou elaborar problemas-situações, esses procedimentos que se baseiam em atividades com diferentes graus de abstração que visem conceitos “superiores”, necessitando portanto, uma trabalho sistemático e natural sobre o objeto a ser aprendido.

Registre-se que a eficácia da assimilação de conceitos está ligado intimamente aos procedimentos de ensino e a seleção de conteúdos significativos inerentes as suas necessidades imediatas, o que requer por parte do educador um estudo minucioso do educando no sentido de diagnosticar o ponto de partida, as bases de apoio para os novos conhecimentos, isto quer dizer que o retrato da realidade é imprescindível para uma efetiva aquisição.

Cabe também aqui uma ressalva quanto ao tempo dispensado para o ensino. Pessoas com dificuldades de aprendizagem necessitam de tempo flexível. Conteúdos com prazos fixos tendem aniquilar-se durante seu processo. O reforçamento torna viável a impostação destes através de estratégias práticas e interessantes, tanto no ambiente escolar como em outro contexto favorável, tais como na casa do estudante, e/ou ambientes sócio-comunitário (mercado, lanchonete, açougue, cinema, clube….)

Segundo LeBlanc (1992) os objetivos educacionais devem ser flexíveis para adapta-los ás habilidades individuais dos educandos e seus procedimentos devem estar centrados em pontos fortes dos alunos mais do que em suas dificuldades e o mais importante segundo a autora é que estes devem se dirigidos a qualquer educando, em qualquer tipo de programa educacional, não apenas com alunos com dificuldades de aprendizagem.

A operacionalide de um currículo oportuno dever ter como referencia o próprio aluno que além de, como já dito, deve observar tanto sua idade cronológica, como também buscar em seu cotidiano as habilidades necessárias de condutas para interagir em diferentes ambientes e situações.

DEWEY, ao referir-se ao desenvolvimento natural e a eficiência social diz que o objetivo de obedecer a natureza significa observar a origem, o crescimento e o declínio das preferências e interesses, as aptidões abotoam e desabrocham irregularmente; “Os métodos educativos que reconhecerem, ante as enormes diferenças de dons pessoais, os valores dinâmicos das desigualdades naturais do desenvolvimento, e as utilizarem, preferindo a desigualdade à uniformidade obtida pela podadura, acompanharão de mais perto aquilo que se passa no corpo, e se mostrarão assim mais eficazes”. (Donaldson In: DEWEY 1974 p 127).

Os programas naturais e operacionais têm a ver com a funcionalidade natural do ensino. Os fatos reais e a vivência domiciliar do educando são elementos imprescindíveis para a seleção de conteúdos a serem trabalhados na escola. Os procedimentos de ensino devem buscar a reprodução do convívio do educando. Subestimamos a capacidade de aceitação de nossos educandos quando trabalhamos fatos isolados e sem aplicação diária. Assim como, acadêmicos de outros níveis de ensino buscam a funcionalidade do aprendizado, educandos com dificuldades específicas de aprendizagem desejam aprender o que realmente possam ter significado imediato.

Estes programas estão sendo utilizados pela Escola de Educação Especial São Francisco de Assis com êxito expresso pelos educandos, familiares bem como pelos profissionais da instituição. A curto prazo perceberam-se resultados satisfatórios, principalmente nas área da independência e gerenciamento dos educando dos graves comprometimentos

Inicialmente iniciaram-se os projetos mudando a visão educacional dada ao educando. Os planos de ensino atuais postulam-se na capacidade individual do educando no que ele pode atingir num nível proximal projetando-se para níveis mais complexos. A exemplo deste enfoque cita-se a locomoção destes educados durante sua descida do ônibus escolar, onde a tendência destes, dos profissionais e familiares estava em protegê-los da melhor forma possível de possíveis acidentes na escada. Ao chegarem na escola os alunos já contavam com uma equipe de profissionais que os aguardavam e prestavam apoio para sua descida e locomoção até as salas de aula. Com mudança do paradigma “proteção” “para autonomia”, estes já não se posicionam aguardando ajuda, mas buscam apoio nas barras das portas gerenciando sua descida da escada. Estes comportamentos desencadearam outros gerenciamentos como o de dirigir-se para a sala de aula ou a buscar outros ambientes sem esperar pelo comando, assim os educadores tem assumido papel mediadores, o que está refletindo em posturas mais positivas de ensino.

Os projetos deste programas estão organizados em Agências Integradoras que se configuram em espaços democráticos que tem como finalidade desenvolver senso de organização, noções espaço-temporais, comunicação, autonomia e gerenciamento através de ambientes estimuladores e funcionais por Agências de Unidades Básicas, do Corpo e Salas Interativas.

Apesar de ainda considerado projeto piloto, já se pode sinalizar nos educandos conquistas individuais e de grupo que refletem também nas atividade dos educador e famílias. A cada conquista o grupo da instituição motiva-se a buscar outras habilidades e competências que a priori acreditavam não fossem capaz de serem atingidas por esta população.